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Morreu o último rinoceronte-branco-do-norte macho

Morreu o último rinoceronte-branco-do-norte macho

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Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho, morreu nesta segunda-feira aos 45 anos. A informação foi avançada pela reserva natural queniana de Ol Pejeta, onde o animal vivia desde 2009. Com a saúde de Sudan a deteriorar-se de dia para dia, a reserva natural tomou a decisão de abatê-lo, conforme explica em comunicado. Agora há apenas duas fêmeas de rinoceronte-branco-do-norte no mundo inteiro.

“O seu estado de saúde piorou significativamente nas últimas 24 horas; estava impedido de se levantar e estava a sofrer bastante”, informou a reserva natural Ol Pejeta, citada pela Reuters. “A equipa veterinária do zoológico de Dver Kralove, o Ol Pejeta e os Serviços de Fauna Selvagem do Quénia decidiram eutanasiá-lo”. Sudan sofria de problemas nos músculos e nos ossos, provocados pela idade avançada. Nos seus últimos dois meses de vida, Sudan lutou contra uma infecção recorrente na pata esquerda. No início de Março, a equipa da reserva natural informou que o rinoceronte tinha sofrido uma recaída e que estava em estado grave: a infecção voltou, e desta vez era "muito mais profunda", conforme descreveu na altura a reserva natural.

O veterinário da reserva natural, Stephen Ngulu, explicou à Reuters que, na manhã de domingo, Sudan não conseguia levantar-se: “Decidimos avaliar a sua qualidade de vida e dizer a todos os envolvidos que esta opção [de abatê-lo] era a melhor opção: para aliviar a dor, o sofrimento”.

“É muito triste perder o Sudan, porque mostra claramente a extensão da ganância humana e o tipo de impacto que os humanos podem ter na natureza”, disse o responsável pela conservação da vida selvagem de Ol Pejeta, Samuel Mutisya, à Reuters. Mutisya referia-se ao facto de a espécie ter sido caçada até ao limiar da extinção devido à procura internacional pelo corno do rinoceronte.

Sudan chegou ao Quénia vindo do zoológico de Dver Kralove, na República Checa. Foi levado para a reserva natural de Ol Pejeta, 250 quilómetros a norte de Nairobi, para viver com as duas últimas fêmeas da mesma subespécie, Najin, 27 anos, e Fatu, 17 anos – respectivamente filha e neta de Sudan. 

Sudan era muito velho para procriar por vias naturais, pelo que a única esperança de evitar a extinção da subespécie estava no recurso a técnicas de fertilização artificial. Para angariar os cerca de nove milhões de dólares (mais de oito milhões de euros) necessários para o processo, Sudan foi protagonista de uma campanha na rede social Tinder, aplicação de encontros, onde era apresentado como o último macho da subespécie. A fertilização artificial de Najin (a única das duas fêmeas que é fértil) é a derradeira esperança para a conservação desta subespécie.

A reserva natural Ol Pejeta recolheu algum do material genético do macho na segunda-feira. Este material vai ser usado para tentativas futuras de reprodução desta subespécie. Para que isso aconteça será necessário, para além dos óvulos de Najin e do sémen de Sudan, uma fêmea de rinoceronte-branco-do-sul que sirva de barriga de aluguer. 

O número de rinocerontes tem vindo a diminuir em África devido à caça furtiva destes animais pelos seus cornos, que podem valer até 50 mil dólares por quilo – mais caros do que o ouro. O caso queniano é sintomático: em 1970 havia 20 mil rinocerontes, actualmente são apenas 650, quase todos rinocerontes-negros.

   

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