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Paciente do Hospital São Rafael é vítima do ‘golpe do exame’

Paciente do Hospital São Rafael é vítima do ‘golpe do exame’

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O golpe do falso exame ainda é aplicado em diversas localidades do Brasil. Criminosos se passam por médicos de alguns hospitais particulares e telefonam para familiares de pacientes pedindo autorização e pagamento para realização de exames urgentes, sob risco de o paciente não resistir.

Um leitor do BNews, Felipe Silva Lima, cujo filho está internado no Hospital São Rafael, em Salvador, foi vítima dessa prática criminosa, na semana passada. O paciente apresentava um quadro de infecção bacteriana nas vias aéreas superiores.

“Foram realizados exames específicos. Durante a tarde do dia 19, um suposto médico de prenome Bruno ligou para o telefone fixo do apartamento do hospital, alegando que saiu o resultado dos exames de sangue do meu filho, que se tratava de uma infecção grave, e que precisava fazer um exame de imagem de urgência”, detalha. 

Segundo Felipe, o suposto médico disse que o plano de saúde demoraria muito tempo para autorizar os procedimentos, ele sugeriu um depósito bancário, e ressaltou que o valor seria restituído pelo plano.

“A solução seria fazermos uma TED [Transferência Eletrônica Disponível] no valor do exame, R$2.900, o plano reembolsaria e o exame seria feito no mesmo dia. Como estávamos aguardando o resultado dos exames, e o suposto médico ligou para o telefone do hospital, não pensei duas vezes na saúde do meu filho. Peguei os dados da conta e realizei a TED”, lembra. 

De acordo com Felipe, após quatro ligações e confirmação da transação bancária, o suposto médico informou que em 40 minutos o exame seria feito.

“Fiquei sabendo que se tratava de golpe alguns minutos depois, quando a coordenadora de enfermagem, de prenome Jaci, entrou no apartamento que meu filho está internado, alertando que bandidos estavam ligando para os pacientes pedindo dinheiro se passando por médicos”, relata. Até a manhã desta sexta-feira (22), o caso não tinha sido registrado pela polícia.

Procurado pela reportagem, a assessoria do Hospital São Rafael respondeu que “casos de trotes direcionados a familiares e responsáveis por pacientes internados em instituições de saúde têm ocorrido, frequentemente, em todo o Brasil, conforme divulgado amplamente pelos meios de comunicação, sendo motivo de preocupação de entidades representativas dos hospitais privados e filantrópicos no país”. 

Ainda segundo a assessoria da unidade de saúde, “como medida preventiva, o hospital tem a prática de alertar seus pacientes e familiares de que não realiza contato telefônico, solicitando depósitos bancários ou transação financeira de qualquer natureza, informação que é entregue aos pacientes por meio de folhetos, além de estar afixada em locais de circulação do hospital, no regulamento de internação e, também, no site da instituição”.

Por fim, informa a assessoria, “quando ocorrem casos de tentativa de golpe deste tipo, envolvendo pacientes e familiares, o São Rafael orienta as vítimas a registrarem boletim de ocorrência junto à delegacia mais próxima, bem como se coloca à disposição, a fim de colaborar com a investigação policial”. O São Rafael não soube informar como os criminosos tiveram acesso aos prontuários.

Outros hospitais, como Português, Aliança e Cárdio Pulmonar, também são alvos dos bandidos. Essas unidades têm informado por meio de sites, avisos nas instituições e em suas redes sociais que não fazem contato telefônico com pacientes internados e/ou responsáveis, solicitando pagamentos de procedimentos hospitalares através de transações financeiras para crédito em conta de terceiros.

Polícia alerta
Em entrevista ao site, o diretor do Departamento de Crimes contra o Patrimônio na estrutura da Policia Civil da Bahia, Élvio Brandão de Oliveira, orienta que é sempre importante desconfiar de certas abordagens para evitar os golpes. 

“Obviamente que existe um tempo hábil entre o pedido e a confirmação da informação. Recebeu a ligação, você guarda o telefone, diz que vai retornar, e checa as informações. A gente sabe que é difícil em um momento como este, mas é importante não se contaminar com a emoção momentânea”.

Além disso, ele acrescenta que dados pessoais não devem ser passados por telefone. “Às vezes, a pessoa que está do outro lado vai induzindo a vítima a passar informações. Ao final da ligação, causa a impressão para vítima que o suspeito sabia de tudo. A pessoa acaba entrando em pânico. O criminoso quer justamente essas informações. Obviamente que a gente também não descarta que o criminoso tenha vínculo com a vítima”, explica.

Sobre o caso ocorrido no Hospital São Rafael, o delegado orienta que a vítima registre o caso em uma delegacia. “Se isso realmente aconteceu, ele pode ter sido vítima de algum funcionário. A gente não descarta nada. O caso precisa ser registrado para que a gente possa investigar. Vamos verificar a conta depositada, rastrear a movimentação, juntamente com outros métodos investigativos até chegar aos criminosos”, encerra.

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